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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O Infeliz legado dos rótulos

O infeliz legado dos rótulos


Frequentemente, nos seminários teológicos, professores e alunos recorrem aos rótulos para sistematizar pensamentos e categorizar pensadores. De certa forma, não temos como evitar os rótulos. Qualquer epistemologia ou cosmovisão organizará suas ideias por meio de rótulos convenientes. Até certo ponto, e com certas qualificações, além de legítimo, torna-se necessário categorizar com palavras chaves, “reformados”, “católicos”, “liberalismo”, “ortodoxia”, “fundamentalista” etc. Porém, aquilo que é conveniente como preceito organizador passa a ser inconveniente quando o uso de um dado termo configura-se como abuso. 

É muito fácil, por exemplo, rotular aqueles que têm uma visão teológica que difere da nossa, como espécie de atalho para desqualificar toda e qualquer colocação do outro. Assim, não demora para um termo técnico perder qualquer definição ou sentido científico, assumindo, ao invés, a natureza de uma caricatura. Neste sentido, há pelos menos três perigos inerentes com a prática de rotular, todos os três interligados: (1) rotular leva ao anti-intelectualismo; (2) rotular leva ao desconhecimento; (3) rotular leva à descaracterização das pessoas.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Mestre

O ministério do mestre é tão importante no NT que é listado nas três listas dos ministérios (Rm 12.6-8; 1 Co 12.28 e Ef 4.11). Gee defende a ideia de que em Efésios o texto indica que o ministério de mestre muitas vezes se unia ao do pastor. Ele afirma: Aos anciãos, que eram chamados para a supervisão pastoral das igrejas, exortava-se a que pastoreassem o “rebanho de Deus” (1 Pe 5:2); e desejava-se que tais homens fossem aptos “para ensinar” (1 Timóteo 3:2).[1] Mesmo assim, o mestre podia ter um ministério itinerante. A Bíblia nos mostra o caso de Apolo (At 18.24ss), um homem que tinha grande eloquência para refutar judeus e provar pelas Escrituras que Jesus é o Cristo. Apolo viajava constantemente para ensinar e instruir os irmãos e irmãs na Palavra. O mestre era encarregado de conservar, transmitir e interpretar as Escrituras e preservar a tradição apostólica. Hoje não deve ser diferente.

 O mestre é aquele que descortina textos bíblicos e os torna acessível a toda comunidade.[2] Essa tarefa só é possível se o indivíduo tiver o dom concedido por Cristo. Não basta saber algumas regras da didática e ter inclinação natural, tem que ter o chamado. Quando a pessoa tem o ministério do ensino, ela soma e fortalece a comunidade. Por exemplo, o ministério de Apolo foi visto por Paulo como irrigador (1 Co 3.6). Aquilo que o apóstolo dos gentios plantou, foi preservado e cuidado por Apolo. Por isso, ser mestre no sentido bíblico não significa ter formação acadêmica, contudo, ela não pode ser desprezada, e inevitavelmente aquele que gosta de ensinar, gosta da companhia de bons livros. 

Hamartiofobia!

Hamartiofobia!

O termo hamartiofobia é a junção de duas palavras de origem grega (hamartia = pecado + fobos = medo) e muito provavelmente pode ser uma boa nomenclatura para designar o sentimento de uma certa parcela de cristãos que simplesmente não suportam abordar o assunto – falo do PECADO, aquele malvado. Fiz questão de mencionar “certos cristãos” porque em teoria não deveria ser um problema para eles refletir sobre, uma vez que são os não-cristãos que não aceitam o conceito de pecado, bem como não tem a obrigação de fazê-lo.

O ponto que quero focar aqui é aquela falácia travestida de piedade que diz que “devemos pregar somente o amor de Cristo… que chamar as pessoas de pecadoras só as afastam de Deus… que abordar o pecado ao evangelizar pode reprimir a pessoa e que iremos perdê-la se o fizermos”, ou qualquer coisa que se aproxime disso.

Ultimamente essa questão tem ganhado peso por ocasião dos embates entre gays e evangélicos, pois estes estariam se utilizando de um discurso inflamado e destituído de amor e graça para se referir a conduta pecaminosa daqueles. Sendo assim, deixe-me fazer algumas considerações sobre a importância do tema e sanar alguns mal-entendidos.
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