Frequentemente, nos seminários teológicos, professores e alunos recorrem aos rótulos para sistematizar pensamentos e categorizar pensadores. De certa forma, não temos como evitar os rótulos. Qualquer epistemologia ou cosmovisão organizará suas ideias por meio de rótulos convenientes. Até certo ponto, e com certas qualificações, além de legítimo, torna-se necessário categorizar com palavras chaves, “reformados”, “católicos”, “liberalismo”, “ortodoxia”, “fundamentalista” etc. Porém, aquilo que é conveniente como preceito organizador passa a ser inconveniente quando o uso de um dado termo configura-se como abuso.
É muito fácil, por exemplo, rotular aqueles que têm uma visão teológica que difere da nossa, como espécie de atalho para desqualificar toda e qualquer colocação do outro. Assim, não demora para um termo técnico perder qualquer definição ou sentido científico, assumindo, ao invés, a natureza de uma caricatura. Neste sentido, há pelos menos três perigos inerentes com a prática de rotular, todos os três interligados: (1) rotular leva ao anti-intelectualismo; (2) rotular leva ao desconhecimento; (3) rotular leva à descaracterização das pessoas.
